O último Censo Demográfico, no recorte “Censo Demográfico 2022: Pessoas com Deficiência e Pessoas Diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista – Resultados preliminares da amostra”, trouxe dados sobre a população com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil. O levantamento aponta a existência de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico, o que representa 1,2% da população brasileira .

Desse total, 1,4 milhão são homens (1,5%) e 1 milhão são mulheres (0,9%). A maior prevalência está na faixa etária de 5 a 9 anos (2,6%). Em Rondônia, o índice é de 1,3% da população com diagnóstico de autismo.
Esses dados reforçam a importância do Abril Azul, mês de conscientização sobre o transtorno do espectro autista, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A campanha busca ampliar o conhecimento da população, reduzir o preconceito e promover a inclusão.
Desafios no acesso a direitos
O advogado Vinicius Miguel destaca que ainda há desafios no acesso a direitos por parte das pessoas com TEA, especialmente em áreas como saúde e educação.

Segundo ele, entre as demandas mais frequentes estão o acesso a tratamento multiprofissional pelo Sistema Único de Saúde (SUS), fornecimento de medicamentos, garantia de acompanhante especializado nas escolas e acesso a diagnóstico precoce .
Vinicius também aponta a necessidade de maior integração entre políticas públicas. “A omissão é sistêmica e estrutural”, afirmou, ao citar dificuldades na articulação entre saúde, educação e assistência social.
Vivência das famílias
A servidora pública Suzane Lima, mãe de uma criança com autismo, ressalta que houve avanços, mas ainda existem desafios na efetivação das políticas públicas.

Ela destaca dificuldades no acesso ao diagnóstico, atendimento especializado e inclusão escolar, além da persistência de preconceitos no cotidiano.
Já Fátima Aguiar, mãe da artista plástica Eryle Aguiar, afirma que o maior desafio está na forma como a sociedade encara o autismo, muitas vezes associando a condição à limitação.
Outro relato é de Maíla Alves, que vive atualmente em São Paulo e compara a experiência com Rondônia, destacando diferenças no atendimento educacional às pessoas com autismo .
Atuação legislativa
A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) tem aprovado medidas voltadas às pessoas com transtorno do espectro autista e outras deficiências.
Entre elas, está a Lei 5976/2025 , de autoria da deputada estadual Cláudia de Jesus (PT), que garante validade indeterminada a laudos médico-periciais.

Outra iniciativa é a Lei 5763/2024 , de autoria do deputado estadual Delegado Camargo (Podemos), que estabelece medidas de combate à violência institucional contra pessoas com deficiência e autistas.
A Lei 5978/2025 , também de autoria do deputado Camargo, é outro avanço, que determino obrigatória a reserva de espaços e assentos preferenciais em praças de alimentação, bares e restaurantes para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, idosos e gestantes.

Texto: Ivanilson Frazão I Jornalista Secom ALE/RO
Fotos: Divulgação I Arquivo pessoal I Thyago Lorentz I Secom ALE/RO